Notícias da família Missionária
Querido Padre José Carlos, e paróquia de Laveiras-Caxias,
É verdade que já não escrevemos à bastante tempo, e pedimo-vos perdão por isso, mas o tempo passou a uma velocidade estonteante nestes sete meses que levamos em Taiwan.
Hoje em Taiwan celebra-se a festa do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, pois aqui a festa é celebrada no domingo.
O nosso filho José fez hoje a sua primeira comunhão aqui na paróquia de Daliao, onde estamos em missão.
Fez ele juntamente com a filha mais velha da outra família que está também em missão.
O José está contentíssimo.
Há semanas que desejava poder comungar do corpo e sangue de Cristo.
O pároco dizia uma coisa impressionante. Há mais de 15 anos que não se faziam primeiras comunhões nesta paróquia.
É realmente uma realidade muito diferente de Portugal, e foi das primeiras vezes que nos apercebemos de forma muito concreta e palpável a necessidade de famílias em missão.
Na realidade, nós não fazemos nada de especial.
Eu continuo a fazer o meu trabalho remotamente para Portugal, a Lucília trabalha em casa cuidando das crianças e de todas as necessidades da casa. Ela sai à rua para ir comprar legumes e fruta nas bancas do mercado aqui na nossa rua, e os nossos filhos vão à mesma escola das outras crianças taiwanesas.
Parece que levamos uma vida perfeitamente normal, sem fazer nada de extraordinário e sem fazer nenhum tipo de evangelização mediática.
Mas depois há pequenos pormenores que nos fazem presente a necessidade de famílias em missão.
No outro dia entrei no elevador com as crianças todas e dois vizinhos que nunca tínhamos visto. Perguntaram com um ar muito surpreso "são todas suas?".
Já não é a primeira vez que acontece ficarem surpreendidos de ver tantos filhos (e são só 4). São sempre muito simpáticos connosco e fazem uma festa com as crianças, em especial as pessoas mais velhas. A taxa de natalidade vai descendo por todo o mundo mas aqui é mesmo muito baixa, e por isso as pessoas não estão habituada a ver tantas crianças numa só família.
Assim nestes pequenos exemplos vamos às vezes tendo um vislumbre da necessidade de famílias cristãs que se limitem a viver entre os pagãos ou os descristianizados. A nossa missão é fazer Jesus Cristo presente simplesmente vivendo entre eles. Nada mais.
Também temos aos poucos vindo a perceber cada vez mais claramente que a vida de família em missão foi a forma que Deus escolheu para salvar a nossa família.
Não porque somos cristãos melhores e mais corajosos que os demais. Apenas foi a forma particular que Deus pensou para nós, e estamos agradecidos ao Senhor por isso.
A vida em missão tem coisas muito duras.
A língua chinesa é uma barreira que ainda nos parece intransponível.
As saudades que temos de todos, de conviver com os irmãos, a família e os amigos, de comer um bom prato de bacalhau ou um pastel de nata.
Mas também Deus não nos tem deixado órfãos.
Celebramos a eucarística em casa uma vez por semana e Deus sempre traz uma palavra que nos sustenta, nos corrige e nos dá esperança.
Pedimos que continuem a rezar por nós e por esta missão, pois temos a certeza que é a oração da comunidade que nos tem sustentado.
André Lucília e filhos